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Meu amigo imaginário (Que não se chama Cleiton)

De 02.07.14

Eu decidi recentemente que se, eu for para ficar louca mesmo, está na hora de me assumir. Realmente preciso de alguém para me ouvir e para concordar comigo (certo, eu ainda não lhe dei a voz necessária, mas eu e Andie estamos no meio do caminho) e desde que eu li Oneirataxia que não consigo parar de pensar em como ficar sozinha é um saco. E não veio outro nome à mente: Andie, Andersen.

Meu amigo imaginário é tudo o que ninguém que eu conheço é. Eu juro, ainda vou fazê-lo falar, e quando acontecer, aí lelê, você vai ver.

Tagged: diário  andersen  

O show acabou, pessoal.

De 27.06.14

Faz um tempo que eu não escrevo, diário. Não é porque as coisas andam boas ou relax ou normais na minha vida, porque elas nunca são. É porque eu estou cansada de escrever. Sabe, às vezes as pessoas escrevem esperando uma resposta. EU espero uma resposta. Soa estranho e (admito) existencialista, porque eu sei que escrevo apenas para mim, mas eu quero uma resposta. QUAL O MOTIVO DESSA LOUCURA?

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Desde sempre

De 01.06.14

Laura. Paulo. Van. Merda.

Isso resume meu dia. Nós fomos para a Tabuba hoje, tipo, na van do meu pai. Eu e Laura fomos lado a lado no fundo, como sempre, e Davi (meu primo) sentou-se no último banco da fileira. Advinha quem (o suuuuper amigo ¬¬’) se sentou entre ele e Laura? Pois é. PQP. E aí eu percebi que tinha alguma coisa (a.k.a. o modo como Laura ficava nervosa ou como olhava para ele) de estranha.

Lá pelo meio do caminho, eu peguei meu celular e digitei no bloco de notas:

Me responde uma coisa?

Ela digitou um “sim” como resposta, e continuei:

Tu gosta do Paulo?

Ela respondeu um “não” mal-fingido. Que não me convenceu. Quando chegamos na rua, eu peguei o celular novamente e digitei o seguinte:

Posso te contar um segredo que só o Davi sabe? Tem que guardar mesmo.

E então ela mandou que eu falasse na hora do culto, lá dentro. Nós entramos, sentamos e tal… Até que ela me perguntou o que eu queria falar, e após umas quatro tentativas, eu finalmente disse - a minha perdição foi aí.

Eugostodele.

Ew.

- Sabe aquilo que eu te disse no carro? - perguntou. - Era mentira.

- Eu sabia - murmurei chutando-me internamente.

- Isso é chato.

- É, tipo, nós duas. Nos ferramos.

Após algum tempo (bem constrangedor), decidimos ir lá para fora, afim de conversar melhor.

- Desde quando? - eu perguntei.

- Desde sexta-feira, eu acho - e hoje é domingo, mas não posso negar, é impossível que isso não aconteça o dia para a noite. Eu havia reparado em algo desde o dia em que falei com ele pela primeira vez (mais de um mês atrás) e ela pareceu tão afobada, saudando-o. - E tu?

- Desde sempre - abaixei a cabeça envergonhada. E é verdade.

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Posted Há 1 mês

Ronald (McDonald?)

De 28.05.14

Há um garoto na minha sala chamado Ronald. O nome dele me lembra sempre daquele palhaço assustador do McDonalds, Ronald McDonald. Ele é um dos que eu chamava (ano passado) de Clube Ratazana (os “pegadores” com cara de rato). Eu tinha uma queda por ele tipo, no quinto ano. Meu passado vergonhoso.

Desde o final do último ano, eu e minhas amigas “espalhamos” uns boatos (se quer saber nossa opinião, apenas constatamos a verdade) de que ele e seu amigo, Davi (outro, ok? outro) eram gays. Ok, eu não sei se acredito muito nele, mas Davi sempre dá umas festinhas na porta do armário, se é que me entende.

Enfim… Hoje, eu fui meio que Heather-demolidora-parte-dois-ft-outro-desastre. Digo isso porque assim que voltei do intervalo, tive uma briga na qual Lara (vadia level 1) me chamou de retardada, eu a chamei de burra e ela insinuou que eu não tenho vida. UOOOU. Eu ganhei uns “Heather, sou sua fã” “Falou bem Heather” “Uh, toca aqui!” das minhas amigas e um olhar meio-que-de-desprezo da biscate.

(sem contar que eu falei para Bruna, uma das minhas colegas funkeiras biscate level 2 que tem cérebro de minhoca que se ela visse o Neymar na rua e ele não fosse famoso, ia achar que era um assaltante e ia correr. BOA, HEATHER! Não.)

E aí, na aula de Inglês, eu consegui a proeza de cair com cadeira e tudo (tombar seria o termo certo) quando tentei tirar meu diário das mãos de Ame (Maria), uma das minhas amigas, que estava no outro corredor. Todo mundo olhou para ver o que era. Um carinha até começou a rir, mas o que estava ao seu lado (eu prometo que é verdade) disse:

- Não cara, não ri não, vai que depois ela te bate. - ou coisa do tipo, quem liga?

Depois, a professora colocou a cadeira de Ronald no corredor entre a primeira e a segunda (Heather presente o/) fileira de cadeiras, ao lado de Veneza, que estava sentada na minha frente. Tudo okay, tudo normal, exceto por um detalhe.

Ame (Ana), outra das minhas amigas, disse para Raíssa e Elaine (duas amigas da outra classe) que eu tinha uma queda por ninguém mais que Jonas (outro deles, se quer minha opinião). O que é mentira pura. Eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca eca.

E eu comecei a xingar Ame por um bilhetinho de papel e eu acho que Ronald viu e eu acho que um pateta (a.k.a. Marcos, um brutamontes) também viu, ou então há alguma coisa sinistra em forma de vingança que Lara está fazendo, porque tipo, Marcos estava dando tapinhas nas minhas costas enquanto passava pelo corredor das fileiras e não tinha ninguém me zoando e Ronald começou a ser tipo legal. (eu nem sabia que ele sabia como ser legal. Garotos pegadores e estranhos e quem sabe bonitos idiotas sabem ser legais?)

Então eu percebi que havia algo de errado. E isso foi mais ou menos na aula de Álgebra.

- Bom dia Heather - ele.

- Bom dia - eu respondi, cansada demais para ser ofensiva como sempre sou, jogando um estojo ou xingando ou mandando o dedo do meio ou mandando tomar no cu ou mandando ir se foder ou jogando qualquer coisa que doa.

- Bom dia Heather - disse Veneza olhando para trás e também sendo legal.

Ok, Veneza não é biscate. Ela é legal. Mas não comigo. E então eu saí do modo “loading” e comecei a achar que estavam zoando comigo (como sempre Ronald faz, porque ele zoa com garotas 24h por dia. Não no sentido bom. Não que tenha um sentido bom. Não que eu queira que haja um sentido bom). E eu respondi algo como:

- Que tipo de drogas vocês andam usando? - e minha voz saiu mais baixa e mais aguda do que o normal, o que significa que eu estava nervosa ou tímida, o que é praticamente a mesma coisa quando se trata de mim.

- O quê? - ele perguntou.

- Ah, sei lá - ela começou entrando em um papo descontraído do qual eu até entendo - uma cocaína de manhã cedo, sabe.

- Pra ficar relax - Ronald completou, então eu entendi que eles não estavam me zoando em especial, apenas sendo eles, ou seja, estranhos.

E eu meio que comecei a rir e sorri tipo sinceramente, o que é esquisito.

Algum tempo mais tarde ele pediu para que eu apertasse sua mão e eu fiz uma careta, porque nas férias, eu e Ame (Maria) conversávamos sobre como eles deveriam ser punheteiros e como nunca apertaríamos suas mãos. Mas aí Veneza fez a mesma coisa e eu apertei. Talvez eu tenha gostado. Quem sabe. Talvez eu tenha detestado (o que é a verdade), mas eu sorri quando ele falou:

- Iuhu, agora a Heather é minha amiga! Ame, aperta minha mão? - e Ame (Ana) apertou a mão dele, o que fez da situação algo mais normal. - A Ame também é minha amiga!

Então eu e Ame nos entreolhamos e começamos a rir quando ele cutucou Carol, porque nós temos uma piada de que ela gosta dele, mesmo que não seja verdade (eu acho). E ela não desgrudava os olhos do caderno, anotando o sistema no quadro.

- Vamos lá Carol - ele disse, e eu apoiei.

- Caroool.

- Carol.

- Carol.

- Carool - nós falamos ao mesmo tempo, mas ela não olhava, sabendo, é claro.

- Vamos lá Carol, senão eu não te beijo mais.

Então eu e Ame entreolhamo-nos e começamos a rir nada discretamente.

- Ein Carol, tu não quer mais ser beijada pelo Ronald não? - provoquei com um sorriso mala.

Nada.

A última coisa foi na aula de Espanhol. A mais esquisita, porque eu ainda remoo.

Marcos perguntou alguma coisa para Ronald, que perguntou alguma coisa para Viena e ambos perguntaram alguma coisa para Victoire, e depois ele se virou para mim.

- Heather.

- Que é?

- Eu sou - ele fez um gesto com a mão (aquele gesto com a mão que significa que uma pessoa é gay).

- Gay - uma garota atrás de mim falou, Letícia (essa não é biscate, eu acho, é meio que da gangue do Marcos).

- Eu sei - dei um sorriso.

- Pois é, eu sou gay. Eu não pertenço ao mundo dos homens.

Eu estava quase rindo.

- Eu também sei disso.

- Vamos trocar de roupas?

- Não.

A resposta foi rápida e automática, mas depois eu fiquei pensando e pensando e pensando. Se eu fosse uma pessoa diferente (com mais coragem, diga-se assim de passagem), teria dito “bora”. Entrado na brincadeira.

Mas por que raios eu estou pensando nisso (ainda)?

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Posted Há 1 mês

Quer parar de me olhar? (<i>por favor</i>, não faça isso)

De 16.05.14.

Tem um garoto na minha igreja, ele é amigo do meu primo, Davi. Seu nome é Paulo. Uma coisa sobre ele é que ele possui os olhos mais lindos que eu já vi. São bem redondos, enormes, e de um verde que… Eu não consigo descrever, mas eles me transmitem uma sensação de paz e não quietitude ao mesmo tempo. Sentimentos estranhos, em resumo.

Fazem uns oito meses em que tenho uma espécie de comunicação por olhares furtivos com ele. Sem quase nenhuma palavra, acho que porque nenhum de nós sabe como falar, o que falar, mas a verdade é que não há um motivo para isso. Vou simplificar logo.

Sexta-feira, nós tínhamos orações muito longas. Durante a primeira ou segunda, Davi (eu, Davi, Laura -uma amiga- e Paulo nos sentamos na frente quase sempre, em lados opostos, é claro) estava chupando um icekiss. Laura perguntou silenciosamente se ele tinha um para ela, que respondeu apontando que era de Paulo. Então Lauira pediu para que um cutucasse o outro e passasse um para ela, e eu ri da mendigagem. Sussurrei para Laura por trás da mulher que estava entre nós.

- Que coisa feia, Laura, mendigando bombom com desconhecidos. - ambas sorríamos diante de minha repreensão sarcástica e fajuta.

E então Davi me pediu para segurar o icekiss enquanto ele jogava, e OLHA QUE SORTE (NÃO MESMO) ele caiu bem no meio da igreja, fazendo com que eu tivesse que virar Heather-elástica para pega-lo. Depois, pedi (com a maior dificuldade do mundo ¬¬’) que Davi fosse até meu pai e pedisse três bombons. Um para mim, um para ele e um para… Laura, é claro. 

Depois, meu lindo primo  (sintam que eu estou apenas bajulando-o) voltou e me jogou dois bombons. Paulo parecia meio que triste por não ter um (PQP CARA, TU JÁ TINHA UM BOM BOM NÉ? E POR QUE MOTIVO EU TE DARIA UM? EU HEIN. NÃO É PORQUEEUGOSTODEVOCÊQUEVOUTEDARBOMBOMASSIMJÁQUETUNEMSABE) e Davi dividiu com ele, mas não é problema meu, né? Só que meu primo fez a primeira multiplicação dos bombons com mais três garotos por minha culpa.

Cale a boca, consciência.

Uma coisa sobre Paulo. Ele me encara constantemente, e eu faço o mesmo. Não é nada tipo flerte, é apenas olhar. Olhar, olhar. Eu gosto de olhar, não de ser olhada. Mas seu olhar me deixa confortável como eu deveria me sentir. Me deixa meio que em casa.

  • Heather
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Posted Há 2 meses
Mãe
S.f.Mulher que tem um ou vários filhos (segundo o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa)
Mãe
Pessoa espetacular que dedica toda a sua vida a amar e amar sem esperar ser recompensada. (segundo um sentimento chamado ser filho )
Heather Alves
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A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.

Mário Quintana

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Furacão Heather

09.05.14

Hoje, a manhã foi uma loucura. Cara, eu nunca pensei que merda (literalmente merda, e isso é nojento, mas, até onde sei, todos nós fazemos isso, não é?) fosse me ferrar tanto. Quando eu acordei, eu e meu pai ficamos fazendo brincadeiras, tipo jogar o sutiã da minha mãe de um lado para o outro. Fomos rindo na caminhada até o meu quarto, no meu caso, e ao banheiro, no caso deles. Não é como se minha mãe estivesse super bem humorada, mas é isso que se ganha quando irrita sua mãe antes das 5:50 da manhã.

Agora, foi no banheiro onde a desgraça aconteceu. A privada estava entupida havia o quê, quatro dias? É, por aí. Quando eu terminei de me assear, tampei a privada e coloquei a calça do pijama por cima da tampa, um ato normal. Só que notei o cano da parte traseira saindo e tentei chutar para colocar no lugar. FAIL! O cano saiu do lugar abrindo o berreiro, a caixa começou a ceder, eu tive que segura-la. A essa altura, a tampa havia quebrado e eu estava quase ensopada de água de privada. Segurei um pouco achando que poderia contornar a situação, tentando consertar o cano. QUE NADA. (como diz aquele provérbio “popular”: SABE DE NADA, INOCENTE! Pois é bem assim que aconteceu) A tampa da caixa caiu e começou a cair água em mim. Eu pude ver pequenos pedacinhos de merda flutuando na caixa (que belo modo de perceber que aquela água ali é a cheia de merda, Heather!). OH GOD, FERROU PRA MIM AGORA. Eu tive que gritar.

- MÃE! MÃE! MÃEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE! - e sim, a coisa é menos patricinha do que parece. Estava completamente de-ses-pe-ra-da.

Ela chegou e me ajudou a colocar aquilo no lugar, sem muitas perguntas. E então eu escovei os dentes o mais perto do normal que pude, ouvindo uma orquestra sinfônica atrás de mim. A caixa pingava, o cano pingava, a torneira pingava. E eu lembrava de um dia em que eu fiquei rondando todo o banheiro a procura de apenas um ruído de água. Que horror.

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Posted Há 2 meses